“Maria Gadú” – o CD – é para ser ouvido over and over and over again.Maria Gadú – o show – é para ser mais ouvido do que visto. Mas também é bom observar o jeito simpático e tranquilo da cantora. Dá pra perceber como ela – mesmo visivelmente tímida – se sente bem no palco, sentada a maior parte do tempo tocando seu violão. E Gadú deve saber a força que sua música tem, pois dispensa maiores recursos cênicos para que o público concentre-se no que ela quer mostrar: seus versos.
Gadú fez show aqui em Manaus, ontem, no Tropical Hotel. Acompanhada de cinco músicos, tocou 12 das 13 canções de seu primeiro disco (deixou de fora, ainda bem, a cover para “Baba”, gravada por Kelly Key) e mais algumas surpresas. Reclamou do calor em umas duas ocasiões, falou da vontade que tinha de conhecer a cidade, que a mãe havia visitado anos antes, e desabafou: ficou “puta” quando sumiram com o CD que ela tinha da banda Carrapicho. E ainda deu uma bronca merecida numa parte do público.
Abriu o show com “Encontro” e uma ótima sequência que incluiu “Bela Flor”, “Shimbalaiê”, “Tudo Diferente” e “Dona Cila”. “Lanterna dos Afogados”, do grupo Os Paralamas do Sucesso, foi a primeira canção não incluída em seu álbum a ser interpretada. Versão inspirada.
Depois de “A História de Lilly Braun”, Maria Gadú fez voz e violão de “Altar Particular” e abriu caminho para a participação de seu amigo e cantor Leandro Léo, que também participa da turnê. Cantaram “Rosebud (O Verbo e a Verba)”, de Lenine, e ao final Gadú reclamou do burburinho formado numa parte da plateia, que atrapalhou a audição do número intimista. “Quem quiser conversar, tudo bem, mas não atrapalha quem veio aqui ouvir música”. Nunca vi nada parecido em show antes. Ficou feio para os gremlins de Mesmice City.
O sorriso da artista voltou logo na música seguinte, “Linda Rosa”, também interpretada ao lado de Leandro, assim como “Laranja”. Ele ainda mostrou sua música “João de Barro” e, daí em diante, o show seguiu entre outras surpresas (como “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa; e “Filosofia”, de Noel Rosa, com versos de “You Know ‘I’m No Good”, de Amy Winehouse) e mais do repertório autoral da cantora (“Escudos” e “Lounge”). Voltou para o bis com “Ne Me Quitte Pas”, de Jacques Brel, e mais uma vez “Laranja”, encerrada com solos dos músicos.
Gostei muito do show de Maria Gadú. Assim como o CD, é para acompanhar os versos – principalmente os da artista – do início ao fim. E repetir a dose. Over and over and over again. Mas sem “Baba”!

E viva a nova MPB!
ResponderExcluirE gadu não nos decepciona...
E fico feliz por vc ter comprado o cd, entrevistado, escrito uma bela matéria, e ter ido ao show! E bem de perto!
E gostei de ler isso aqui...
Me senti assistindo o show com toda a turma!
Obrigado por compartilhar isso comigo! ha!